Kvass de pão
Uma fermentação caseira de pão de centeio — ligeiramente ácida, quase doce e naturalmente efervescente, a bebida que refrescava os verões ucranianos muito antes de existir o frigorífico.

Sobre este prato
O kvass é anterior à história escrita eslava: as crónicas mais antigas mencionam-no ao lado do hidromel e da cerveja como bebida do dia a dia, não festiva, porque se fazia com o que já havia em casa — pão duro, água e açúcar. O pão de centeio, seco até a côdea ficar quase negra, é o que dá à água tanto a cor como aquele travo ligeiramente amargo que distingue o verdadeiro kvass de pão de uma imitação doce de refrigerante. A fermentação selvagem dependia antigamente por completo das leveduras já presentes no pão e no ar da cozinha, e o punhado de passas colocado em cada garrafa é o velho truque, sem qualquer equipamento, para conseguir as últimas bolhas.
- Vegano
- Sem lactose
- Contém glúten devido a Pão de centeio duro
Ingredientes
- 400gPão de centeio duro
- 3lÁgua
- 150gAçúcar fino
- 5gFermento de padeiro seco
- 20gPassas de uva
- 4raminhosHortelã fresca (opcional)
Preparo
Corte o pão de centeio em fatias e seque-o no forno a 180°C durante 20 minutos, até a côdea ficar castanho-escura, quase negra, sem queimar.
20 minDica: Quanto mais escura a torragem, mais escuro e intenso sairá o kvass — é a côdea tostada, não o miolo cru, que dá ao kvass o seu típico travo a fruto seco.
Coloque o pão tostado numa panela grande ou frasco, regue com a água a ferver, tape e deixe repousar 5–6 horas ou de um dia para o outro, até arrefecer à temperatura ambiente.
5 minDica: Tem de ser água a ferver: o calor extrai de imediato os amidos e açúcares do pão, que a fermentação transformará depois no ligeiro travo ácido e nas bolhas da bebida.
Coe a infusão através de um pano fino, espremendo bem o pão, dissolva o açúcar e o fermento no líquido morno, tape com um pano e deixe à temperatura ambiente por 8–10 horas.
0 minDica: Um pano, não uma tampa: a fermentação precisa de ar, e um recipiente bem fechado ou trava o processo ou, pior, acumula pressão até rebentar.
Assim que se formar uma espuma leve à superfície e o kvass tiver um sabor agradavelmente doce-ácido, coe novamente, engarrafe com algumas passas em cada garrafa e feche bem.
0 minDica: As passas são o gatilho tradicional para uma segunda fermentação mais discreta: o açúcar na sua pele provoca um último impulso de atividade dentro da garrafa fechada — é daí que vêm as bolhas.
Refrigere as garrafas pelo menos um dia antes de servir e sirva bem gelado, com um raminho de hortelã fresca se preferir.
0 minDica: O frio abranda a fermentação em vez de a parar, por isso uma garrafa gelada continua a desenvolver sabor por mais alguns dias — vale a pena provar uma um ou dois dias depois da primeira.